Raros são os que no século em curso podem comparar-se a José Boiteux em serviços prestados à cultura catarinense.
Entretanto, nem seis décadas são decorridas do seu falecimento e a imagem do grande e fecundo historiador e realizador está notoriamente esmaecida na memória das novas gerações.
Nascido na pequena cidade de Tijucas, em 1865, ele pertenceu a uma geração que deu a Santa Catarina, no domínio das Letras, Cruz e Souza, Luis Delfino, Santos Lostada, Virgílio Várzea, Oscar Rosas, Lucas e Henrique Boiteux, seus irmãos, Araújo Figueiredo e Delminda Silveira e teve convivência com outros mais novos, como Manfredo Leite, Mancio Costa, Sebastião Furtado, Altino Flores, Henrique Fontes, Othon Gama D'Eça, Diniz Junior, Edmundo da Luz Pinto e Ivo D'Aquino. Dos anteriores à sua geração seguramente seria amigo de Gustavo Lacerda e Duarte Silva.
Na política e na administração foram seus contemporâneos e pertencentes ao mesmo partido, Felipe Schmidt, Hercílio Luz, Lauro Müller, Vidal Ramos, Caetano Costa, Adolfo Konder, Otacílio Costa, Nereu Ramos, Celso Bayma, etc. Boiteux conviveu, portanto, com personalidades que deram projeção às letras, à política e à administração catarinenses nas duas últimas décadas do império e nas três primeiras da República.
Sua vida política iniciou-a como oficial de gabinete de Lauro Müller, no primeiro governo republicano. De 1894 a 1896 foi eleito deputado estadual em cinco legislaturas e federal em uma. De 1894 a 1896 exerceu a Secretaria Geral do Estado, no governo Hercílio Luz e em 1896 fundou o Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina. No final do mesmo ano afastou-se das atividades políticas e administrativas para colaborar com o Conselheiro Manoel da Silva Mafra, advogado de Santa Catarina na questão de limites com o Paraná. Esteve em Lisboa para realizar pesquisas nos arquivos da Torre do Tombo e ao voltar fixou-se por algum tempo em Lages, colhendo dados nos anais da Câmara Municipal, para documentar a defesa dos nossos direitos no memorável pleito.
Quando deputado federal vinculou-se a várias entidades culturais no Rio de Janeiro, entre as quais a Sociedade Brasileira de Geografia, sendo eleito seu sócio benemérito. Foi o idealizador de realizações de Congressos Nacionais de Geografia, organizando o primeiro em 1909.
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